Reinventar métodos e revisitar conceitos: Tarefas imediatas do PT

0
125

Estamos vivendo no Brasil um momento de efervescência política nos setores das organizações populares, no Partido dos Trabalhadores e na esquerda nacional.

Toda crise política tem um componente dialético, de ruptura com o passado e de reorganização para o futuro. A conjuntura desse momento apresenta as direitas fazendo o que bem querem, com objetivo de destruir o Estado democrático de direito e colocar na marginalidade 2/3 da população brasileira.

Muitos intelectuais de esquerda começam a exigir que o PT saia do marasmo e de suas crises internas, que as esquerdas façam um pacto de unidade nacional e que o movimentos sociais e populares se mobilizem para defender direitos tão duramente conquistados nos últimos 13 anos.

Observo que no PT, vícios e práticas ortodoxas infinitamente presentes nas disputas dos partidos socialistas repetem a polarização direita x esquerda, onde a maioria partidária representa os conservadores e os setores minoritários representam a vanguarda revolucionária. Ouve-se pelo Brasil afora murmurinhos que dão conta da possibilidade dos setores da esquerda petista saírem para constituir um novo partido caso não haja um pacto de unidade que sinalize imediatamente a realização de um congresso extraordinário para eleição da nova direção partidária e aprovação de um novo projeto político estratégico do partido.

Tenho críticas aos dois lados. Confesso que não consigo identificar lideranças e capacidade de gestão na condução do partido em meio a tantas acusações e fragilidades a que ficamos submetidos. A atual direção partidária não teve coragem de aplicar o estatuto do partido, o regimento interno e muito menos o código de ética para investigar filiados que, por acaso, estejam envolvidos em atos ilícitos ou, no caso de inocência, se constatado que lideranças políticas denunciadas estavam cumprindo tarefas estratégicas definidas pelo partido na relação com o governo, que pudessem encaminhar defesa pública e a mobilização popular para enfrentamento político aos ataques seletivos que as direitas vem fazendo ao longo dos anos.

Mas a esquerda do PT estava no governo Dilma em cargos de primeiro e segundo escalão, em funções estratégicas. Se houve erro de condução da ex-presidenta Dilma na política econômica, esses coletivos da esquerda petista devem fazer autocrítica e terem humildade para dialogar no interior do partido defendendo com radicalidade os pressupostos de suas convicções, porém estando abertos ao diálogo na construção da unidade política e no fortalecimento do partido.

Particularmente, não concordo com muitos debates que indicam a continuidade dos métodos de luta institucional, tem muito vício fisiológico e pragmático espalhados pelas práticas de petistas. Ora, nestas eleições municipais vimos diversas alianças com partidos de direitas, inclusive, PSDB, DEM, PPS e PMDB golpista; com isso dificultando que a população identifique nossas diferenças políticas e ideológicas com a dos setores conservadores da direita brasileira.

Assim proponho que devemos revisitar os paradigmas que norteiam nossa prática, refletir sobre os erros políticos que tivemos em nossas práticas de governo, avaliar o pragmatismo eleitoreiro que nos fez ficar mercê das doações de empresários para nossas campanhas e ter a coragem de avaliar se nesses 34 anos conseguimos fazer avançar no interior da sociedade brasileira um sentimento de classe capaz de constituir uma força política hegemônica na disputa permanente que fazemos com as direitas e o sistema capitalista com objetivo estratégico de construir a sociedade socialista no Brasil.

Nas eleições municipais deste ano minha postura foi de não apoiar nenhum partido de direita, tomei a decisão de somente apoiar candidatos do PT. Colaborei com a eleição de Katiane Cunha a prefeita de Ipixuna do Pará e torci pelo candidato Badel, em Mãe do Rio. Mas, exerci minha militância principalmente apoiando vários candidatos a vereadores e, ao final da campanha, verifiquei a vitória de cinco companheiros e uma companheira que colaborei em algumas atividades de organização da campanha. Em Ipixuna, foram eleitos Jandson Magalhaes, Antonio do Quiandeua e Adailton Reis; em Mãe do Rio, a companheira Isadilva Castro; em São Domingos do Capim, o Sérgio do PT e em Santa Luzia do Pará, o Marcos do Broca.

Em todas estas campanhas fiz um debate orientado por uma concepção metodológica que estou chamando de Sujeitos Sociais Coletivos e a Multiplicação da Esperança, um método de formação baseado na obra “Educação como Prática da Liberdade” de Paulo Freire, onde resume que a conquista da libertação pelos oprimidos só será possível se o indivíduo tomar consciência que é explorado e decida-se organizar em grupos para lutar e combater contra o inimigo opressor.

Finalizo com uma frase do PT “a transformação da sociedade brasileira será obra de milhões e milhões de organizações populares.”

Sem comentários