Insegurança e terror em viagem

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No último dia 24 de novembro, eu e Rogerio Corrêa viajamos até a cidade de Ipixuna do Pará. Passamos o dia organizando o Diagnóstico Municipal na companhia de trinta pessoas colaboradoras do novo Governo Municipal de Katiane Cunha.

Concluímos aquele dia de trabalho às 17h10, e às 17h20 embarcamos em um ônibus da empresa Boa Esperança que vinha da cidade de Paragominas com destino a Belém. O veículo de placa OFI 7013 chegou ao KM 14 às 19h10 min., onde parou em uma lanchonete, seguindo viagem às 19h30. Às 19h40 min. iniciou uma confusão no fundo do ônibus e alguém gritou “mãos para o alto, isso é um assalto”.

O percurso naquele momento era no perímetro entre o Km 04 e a ponte do Rio Guamá. Eram três assaltantes, dois homens e uma mulher, um armado com uma pistola automática e outro com uma faca tipo açougueiro. Nervosos e aos gritos de “recolhe tudo”, conseguiram roubar bolsas, celulares e certa quantia em dinheiro. De minha propriedade foi roubado um celular de marca Moto G 4 Plus que estava com meu acompanhante e amigo Rogério, um dos ladrões colocou a faca em seu peito e tomou o objeto.

O outro assaltante, ameaçando o motorista e os passageiros apontando a arma de fogo na cabeça de uma passageira ou apontando a arma em direção a outros passageiros fizeram o ônibus parar na ponte em São Miguel do Guamá, e se embrenharam pelas vielas da periferia.

O veículo seguiu viagem até o Terminal Rodoviário e de lá seguiu até a Delegacia de Polícia Civil. O motorista desceu juntamente com diversos passageiros e procuraram a autoridade policial. Quem nos atendeu foi o escrivão de plantão. O motorista explicou sobre o assalto que tínhamos sofrido há poucos instantes. Muitos passageiros aterrorizados falavam que queriam prestar depoimento, pedindo segurança e investigação policial.

Para nossa surpresa o escrivão respondeu, de forma grosseira, que estava estressado, trabalhando desde às 8 da manhã e tinha alguns boletins de ocorrência de flagrantes delitos que tinha que fazer naquele momento. O motorista insistiu na gravidade do assalto que atingiu 50 passageiros e que a delegacia mais próxima era aquela de São Miguel do Guamá. O policial, mais alterado ainda, disse que o assalto tinha ocorrido no território do município de Irituia e se o motorista estivesse com pressa procurasse a delegacia da Policial Civil daquele município.

Todos ficamos indignados! Naquele momento levantei a voz e enfrentei o autoritário policial, exigindo que ele respeitasse o direito à segurança de todos que estavam ali, pedindo apenas a providência do sistema policial de proteção a crimes contra pessoa.

Aquele escrivão não gostou da forma como eu o enfrentei e gritou para que eu me calasse, ao que eu insistir de que nossos direitos tinham que ser respeitado, então me respondeu com ameaça de prisão, esmurrou a parede, chamou alguém que estava no fundo da delegacia e pegou uma arma tipo rifle e apontou em minha direção. Os passageiros se revoltaram e começou uma gritaria, alguns me afastaram evitando que a situação tomasse rumos imprevisíveis.

Logo a seguir o delegado de plantão chegou à delegacia e explicou que a situação naquele momento era de muita calamidade e violência. Orientou que o motorista recolhesse o nome dos passageiros, número de telefone e RG de cada um e anexasse os vídeos registrados no sistema de segurança do ônibus, fizesse o BO em Belém e encaminhasse cópia de todo material para a delegacia de São Miguel do Guamá para que fosse instaurado o inquérito.

Para concluir a viagem de São Miguel até Castanhal e o meu dia ficar ainda mais completo de raiva e indignação, tive ainda que ouvir os impropérios de um jovem fascista, que gritava para todos ouvirem que o culpado de tudo isso era o Lula por ter promovido o plebiscito do desarmamento. Aquele fascista esbravejava “bandido bom é bandido morto” e que o próximo presidente será o Bolsonaro para instaurar a ditadura militar, prender o Lula e acabar com comunismo no Brasil.

Dei um ralha severo naquele idiota. Ele foi para o fundo do ônibus continuar fazendo sua propaganda fascista.

Espero que um dia como aquele não se repita nunca mais!

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Ex-deputado estadual e presidente do Partido dos Trabalhadores no Estado do Pará. Pretende opinar sobre conjuntura política, econômica, meio ambiente e outros acontecimentos. Sempre com uma visão crítica.

2 COMENTÁRIOS

  1. Penso que para evitar situações semelhantes, tem uma única saída: # INVESTIMENTO EM SEGURANÇA.

  2. Caraka, meu amigo! Que situação vexatória. A pior, em minha avaliação não foi a dos ladrões, cúmplices e frutos da própria ciolência do Estado, mas a do representante desse mesmo Estado – que deveria servir para dar apoio e segurança – e que destratou a todos como se fosse a autoridade suprema. Fatos como esse é que denotam a quanto anda a nossa segurança pública e as falaciosas promessas de dar proteção ao cidadão. Triste Pará entregue às baratas!

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