A Dialética do pensamento critico e o método de formação política dos Sujeitos Sociais Coletivos

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1. Referenciais teóricos.
“É preciso conhecer a realidade para poder transformá-la”. Esta afirmação é muito utilizada em processos de transformações políticas e sociais. Muitos educadores utilizam esse referencial como prática do trabalho de base, procedimento metodológico que investiga as diversas faces de uma realidade, seja ela local ou nacional.

O filósofo Sócrates, em seu método de formação conhecido como maiêutica, utiliza-se da investigação através de perguntas para incentivar os sujeitos a se identificarem a partir de sua própria realidade. Paulo Freire, na sistematização do seu método de alfabetização, segue estes referenciais para investigar o relacionamento dialético entre o educador e o educando, a descoberta do conhecimento de sua realidade ocorre a partir da formação de palavras geradoras sistematizadas no próprio território, ou seja, no ambiente onde residem.

Para Freire, parafraseando Pedagogia do Oprimido, não existe neutralidade no processo educativo, ou a educação forma as pessoas para serem dominadas por seus opressores ou, ao contrário, forma as pessoas para serem protagonistas da sua própria história. Isto implica afirmar o papel essencial da educação como ferramenta de conquista da liberdade, quando os oprimidos confrontam sua cidadania contra os interesses antagônicos da classe burguesa opressora.

Compreende-se, desta forma, que a educação é política e que, portanto, todo educador é político. Neste texto, quero evidenciar com os referenciais aqui expostos que a conquista da liberdade pelos oprimidos é um ato revolucionário de transformações individuais e coletivas, o que exige uma ruptura ética do oprimido com sua própria individualidade. Este sujeito precisa se descobrir como um ser livre que tem direitos e pode participar ativamente das mudanças necessárias de sua existência. O indivíduo, neste caso, deve se descobrir como sujeito que precisa interagir sua descoberta emancipatória com outros sujeitos que, ao juntarem-se, vão formando uma nova categoria social que compreendemos ser os Sujeitos Sociais Coletivos.

2. Método e metodologia do processo de formação.
Existe muita confusão na compreensão destes termos. Método se refere à concepção filosófica da investigação e organização do processo de formação; metodologia é o roteiro pedagógico do processo de formação. Desta maneira, possibilita dizer, a partir do próprio referencial, que Sócrates e Paulo Freire conceberam um método de formação fundado em pressupostos filosóficos que investigam a descoberta de dúvidas: “que sou eu? De onde vim? Para aonde vou?”… enquanto que a metodologia é a organização técnica das ferramentas pedagógicas a serem utilizadas no processo formativo: palavras geradoras, estudos em grupos, didáticas participativas, utilização de material audiovisual, compilação de informações e sistematização da prática formativa. Portanto, método e metodologias são a própria práxis na formação de novos sujeitos históricos, protagonistas de uma nova visão de mundo.

3. Planejamento estratégico do processo de formação.
A formação enquanto conquista da liberdade exige uma práxis transformadora que não se limita somente ao convívio social dos educandos. A luta de classe e a luta de massas são incondicionalidades intrínsecas para formação de novos sujeitos sociais coletivos. Lutar é sempre um drama de paixão e ninguém liberta a si próprio, sozinho. É preciso se apaixonar pelo outro e pela causa libertária dos oprimido. Ninguém se liberta sem lutar.
Assim, significa dizer que não existe formação política ideológica sem lutas; em outras palavras, a consciência crítica não é apreendida somente com informações teóricas, mas com formação dos sujeitos em um processo dialético que relaciona prática-teoria-prática.

Planejamento estratégico é a capacidade de fazermos uma mediação entre o passado e o presente, e de formularmos uma previsão de futuro. Portanto, planejar não é um ato de adivinhação e, sim, a demonstração da capacidade do ator que planeja em formular políticas e ações que vão equacionar os problemas identificados na realidade investigada, na formulação de objetivos e metas coerentes com a capacidade estrutural do planejador e a consolidação do plano estratégico que irá ser executado.

O programa de formação que estamos planejando tem como um dos objetivos centrais a construção do Programa da Revolução Democrática, fazendo uma campanha pedagógica que possibilite aos indivíduos, homens e mulheres, uma ruptura dialética com sua individualidade, descobrindo-se como sujeitos que podem combater a exploração capitalista e as dependências social, econômica e cultural, que a maioria do povo sofre em consequência da opressão escravocrata imposta pelo sistema socioeconômico vigente.

Constituir um coletivo de formadores e multiplicadores capazes de estimular e fomentar o debate com os setores mais marginalizados da sociedade municipal através de uma metodologia que possibilite que o imaginário social destas pessoas avance para um nível de pensamento crítico libertário, possibilitando a constituição e organização dos sujeitos sociais coletivos, objetivo estratégico que demonstrará a convicção pedagógica do método de ensinar e aprender, permitindo a construção de um novo saber resultado da conquista da cidadania, da inclusão e da felicidade.

A libertação não é obra somente de um indivíduo, e sim, obra integral e coletiva. Nosso objetivo maior é transformar a sociedade brasileira.

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